Data de publicação: 5 de abril de 2018
A violência é um grave problema social, político e cultural que tem se intensificado nos dias de hoje. Ela se apresenta de diferentes formas, em vários ambientes e situações. Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, a partir da reflexão das causas dos diferentes formatos de violência é uma possibilidade de construir coletivamente caminhos de superação da violência.
Nesse sentido, aconteceu na Escola Zandoná na noite do dia 28 de abril de 2018 a Celebração Comunitária. Junto à comunidade buscou-se refletir sobre o sentido da Páscoa oportunizando um momento de espiritualidade com um olhar a cerca da Campanha da Fraternidade 2018, com o tema: Fraternidade e superação da violência e lema: “Em Cristo somos todos irmãos”.
Momentos de reflexão que provocam dores, mas principalmente possibilidades e esperança. Nesse momento e espaço a diversidade religiosa se fez presente.
A Escola contribui para problematizar toda e qualquer injustiça social. Nesse sentido, as alunas da EJA fizeram a acolhida à celebração com o Hino da Campanha da Fraternidade
Na sequência, 6º e 7º anos conduziram a comunidade no caminho pelo bosque, iluminado por tochas, as cenas de violência simbólica, cultural, estrutural, doméstica feitas pelos estudantes que sensibilizaram para o tema da VIOLÊNCIA.
O Noturno representou uma passagem do texto Bíblico em que Jesus anuncia uma nova moralidade as multidões e aos discípulos. “O que vem de fora não torna o homem pecador, e sim o que sai do coração é o que o torna impuro”.
Os alunos do Ensino Médio diurno mostraram os sinais de morte hoje, algumas cenas de violência naturalizadas pela sociedade e pouco questionadas.
O 3º ano mostrou a primeira chicoteada em Jesus: VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL promovida pelos governos e demais poderes que afetam a sociedade: diminuição de salários, altos impostos, projetos contra a agricultura e meio ambiente, desemprego, criminalização dos movimentos sociais, produção da miséria, diminuição do salário mínimo. Sistema econômico, político e judiciários fortalecido pelos meios de comunicação de massa, destroçando e sangrando o corpo do trabalhador, do agricultor, do assalariado. A repressão social nos lembra o exército de Pilatos.
A segunda chicotada em Jesus foi representada pelos alunos da 201: VIOLÊNCIA DO NARCOTRÁFICO. Enquanto os traficantes dominam territórios e lucram junto as milícias, o Estado ou se omite ou promove mais violência. O dinheiro do tráfico financiando campanhas de políticos brasileiros. Os pobres, negros, favelados, usuários das drogas, são presos, jogados nas prisões que jamais vão recuperá-los, destroem suas vidas e laços familiares e são levados ao submundo do crime. São geralmente os únicos culpabilizados. O resultado da guerra às drogas produziu a morte de pessoas inocentes incluindo inúmeros policiais e, principalmente, veio a potencializar o lucro da indústria armamentista.
A terceira chicoteada foi a VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, mostrada pelos estudantes da 101. A agressão naturalizadas contra a mulher, contra o idoso, contra a criança é uma prática infelizmente corriqueira e o agressor, geralmente é um familiar. Abuso sexual e feminicídio são atos bárbaros que desumanizam e precarizam vidas. Causam chagas profundas. Somado a isso o ódio ao outro em função da sua orientação sexual. A média de mortes ligadas à homofobia passou de um assassinato por dia. Até quando a não aceitação do diferente e o machismo vão fazer parte da nossa prática de vida e por em dúvida nosso amor à Deus?
JESUS
JESUS sofre na cruz e é crucificado.
Eis que a Lenda indígena, que explica o surgimento das estrelas faz ressurgir, renascer a esperança.
Jesus ressuscita refletido no amor, nas diferenças, no oprimido, e junto dele outras crenças trazem a boa nova e a diversidade. A espiritualidade de outros povos são representados na figura de Iemanjá, sol e lua.
As crianças finalizaram a celebração com uma linda música que emocionou a todos que estavam presentes.