Data de publicação: 7 de agosto de 2017
No dia 17 de julho de 2017, os alunos(a) da turma 101 da Escola Estadual de Educação Básica Antônio João Zandoná – Barra Funda/RS, juntamente com a Professora Marivete Alievi realizaram o plantio de árvores nativas no entorno de uma nascente, na propriedade da família do Sr. Adão Fontana em Linha Santa Lúcia – Barra Funda/RS a fim de sensibilizar agricultores rurais e demais população sobre a importância da manutenção e recuperação da vegetação arbórea nas APPs, no entorno de nascentes e mananciais.
Para o desenvolvimento da prática foram feitas parcerias com órgãos públicos como: Emater, Creluz, Prefeitura Municipal, Secretaria de Agricultura, Setor ambiental do município.
As turmas do 6º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio estudaram em aula sobre a atual situação de escassez hídrica e como a preservação das nascentes e das encostas de recursos hídricos são essenciais para produção de água, elemento indispensável para a vida no planeta.
O presente estudo buscou mobilizar e sensibilizar a população, por meio de campanhas e ações contínuas sobre a importância da preservação de nascentes objetivando disciplinar e limitar as interferências antrópicas sobre o meio ambiente.
Com o estudo de caso, identificou-se que no município há 73 nascentes registradas no CAR (Cadastro Ambiental Rural) e que para a recuperação e preservação dessas nascentes e mananciais devem ser adotadas algumas medidas de proteção do solo e da vegetação que englobam, desde a eliminação das práticas de queimadas até o enriquecimento das matas nativas e preservação de Áreas de Preservação Permanente (APP).
O Código Florestal é a lei que institui as regras gerais sobre onde e de que forma a vegetação nativa do território brasileiro pode ser explorada. Também, determina as áreas que devem ser reservadas e quais regiões são autorizadas a receber os diferentes tipos de produção rural a fim de minimizar nascentes desprotegidas, vegetação ciliar arrancada, destruída ou obras invasivas e diversos tipos de poluição causando com frequência a diminuição dos fluxos, secagem e até o desaparecimento de nascentes. Nesta perspectiva, o código estabelece o tamanho mínimo para a faixa de vegetação ciliar no entorno de nascente e nas margens de rios conforme sua largura.
O Código estabelece dois tipos de áreas: a Reserva Legal e a Área de Preservação Permanente (APP). A Reserva Legal é a parcela de cada propriedade ou posse rural que deve ser preservada por abrigar parcela representativa do ambiente natural da região onde está inserida e, por isso, necessária à manutenção da biodiversidade local; e APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.
Quanto à propriedade visitada, constatou-se que há mais de uma nascente. Em conversa com o proprietário, este relatou que cede água a uma propriedade vizinha para os mais diversos fins. Pode-se perceber a preocupação com questões voltadas as áreas naturais, flora e fauna, conservação e gestão do uso da água, aspectos espaciais e territoriais (impactos), aspectos sociais, culturais e políticos baseados nas questões da educação ambiental. Em outras palavras, o proprietário afirma que a pouca preservação é resultante da busca pelo aumento das áreas e da própria produção agrícola.
Constatou-se que o agricultor possui preocupação com a água em sua propriedade, pois na área não ocorre atividade agrícola, apesar de faltar reflorestamento na parte leste da nascente. Sempre procurou manter o local isolado de pessoas e animais domésticos. Não foi encontrado nenhum resíduo sólido próximo a nascente como garrafas pets, lixo, latas, frascos de agrotóxicos, dentre outros, os quais poderiam alterar consideravelmente a qualidade e pureza da água.
Na área a ser recuperada próxima a nascente observada, em comum acordo com a família serão plantadas árvores nativas do Rio Grande do Sul, no intuito de recuperar a mata ciliar e a paisagem natural com árvores que dão sombra, lenha, flores e fruto, beneficiando a flora e fauna da região respeitando particularidades de cada espécies com relação à umidade do solo.
Pensando no fato de que as florestas com maior diversidade apresentam maior capacidade de recuperação, melhor ciclagem de nutrientes, maior proteção ao solo contra processos erosivos e maior resistência a pragas e doenças, o grupo de estudantes agiu localmente em parceria também com a Creluz de Pinhal/RS, que disponibilizou mudas para o plantio.
Também, cada educando envolvido elaborou um desenho representando a necessidade da preservação de nascentes, e cuidado com o ambiente. Duas imagens foram selecionadas para compor um folder que foi entregue ao proprietário visando incentivá-lo a continuar preservando.
O material também foi entregue ao Prefeito Municipal, Emater, Creluz e demais envolvidos a fim de sensibilizá-los quanto ao incentivo e desenvolvimento de ações públicas e políticas de governo voltadas a questão ambiental, especialmente na preservação e manutenção de nascentes e mananciais primando pela quantidade e qualidade de água potável.
Durante a execução do projeto os alunos(a) participaram ativamente das atividades e estudos propostos demonstrando-se sensíveis à importância da preservação de nascente como garantia do equilíbrio ecológico, bem como, para sobrevivência do ser humano. Tiveram a oportunidade de investigar, analisar e contribuir por meio de atividades práticas para melhoria da qualidade de vida no tocante ao consumo e cuidados com as águas de nascente utilizada por agricultores de pequenas propriedades rurais.
Neste sentido, percebeu-se a necessidade da preservação e manutenção do meio ambiente através da implantação de mata ciliar, preservação dos recursos hídricos indispensáveis para a sustentabilidade ambiental.
A nascente caracterizada nesse estudo poderá servir de base para a recuperação das demais nascentes do município visto ser evidente a relevância do plantio de espécies florestais nas margens das nascentes cabendo ao produtor, o direito de defender seu potencial hídrico e o dever de preservar suas nascentes e as vegetações que as protegem. A participação popular efetiva e do poder público criando política de governo em defesa das nascentes e sensibilização de todos os cidadãos a fim de manter vivo e atuante a prática de proteção e defesa dos recursos hídricos e naturais torna-se relevante para os recursos hídricos.
Neste intuito, os estudos sobre água e meio ambiente com ênfase de prática envolvendo educandos(a) objetivou estimular a interdisciplinaridade, mudanças de comportamentos, responsabilidade social e ética ambiental para um outro olhar, salientando a necessidade de compreender a complexidade nos processos e desafios, tornando-se mais comprometidos, zelosos com os processos de desenvolvimento da vida no ambiente.
Este trabalho desenvolvido com os alunos(as) da Escola Zandoná oportunizou, ao conhecer pequena parte da propriedade do Sr. Adão Fontana, o contato com experiências locais em que a preservação de nascentes é uma possibilidade para o proprietário rural. Precisa-se de mais iniciativas que promovam a proteção aos recursos hídricos indispensáveis para a sustentabilidade e qualidade de vida humana, ambiental e planetária visto ser um prática que não se esgota, mas que requer constantes estudos e práticas.
Folder da Campanha Adote uma Nascente de Água e Vida
Professora Marivete Alievi graduada em Matemática e Pós-Graduada em Matemática e Física.