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Maio Roxo: mês de conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais


Data de publicação: 25 de maio de 2020


Ainda pouco conhecido dos brasileiros, o quadro de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) é lembrado como Maio Roxo, mês de alerta e conscientização das DII. Números divulgados em 2018 no I Congresso Brasileiro de Doenças Inflamatórias no Brasil (Grupo de estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil - GEDIIB) apontam que, no Brasil, as DII atingem 13,25 em cada 100 mil habitantes, sendo 53,83% de doença de Crohn e 46,16% de retocolite ulcerativa.

As Doenças Inflamatórias Intestinais (Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa) ocorrem devido a múltiplos fatores, nem todos já esclarecidos, que vão desde determinantes genéticos, microbiota do ecossistema intestinal, hábitos de vida e alimentares até a imunorregulação da mucosa intestinal, sendo esses os principais. Jovens entre 20 e 40 anos, de ambos os sexos, são os mais atingidos pelas DII.

Doença de Crohn

A doença de Crohn pode se manifestar em qualquer parte do tubo digestivo (da boca ao ânus), sendo mais comum no final do intestino delgado e do grosso. Entre os sintomas principais estão diarreia, sangue nas fezes, anemia, dor no abdome, perda de peso e febre. Mais raramente há estomatites (inflamações na boca). Também pode atingir pele, articulações, olhos, fígado e vasos. A doença mescla crises agudas recorrentes, leves a graves, e períodos de ausência de sintomas.

O diagnóstico é feito por meio da colonoscopia com biópsia. Outros exames como radiografia do abdome, exame contrastado do intestino delgado, tomografia computadorizada, ressonância magnética, cápsula endoscópica e exames laboratoriais, na dependência dos sintomas, auxiliam na identificação das alterações típicas.

É relativamente comum a necessidade de cirurgias, como retirada de segmentos do intestino por oclusão, sangramento ou perfuração, especialmente o delgado, e tratamento de lesões anais como abscessos e fístulas, contribuindo, em muito, para o controle dos sintomas e das possíveis complicações. Também não é rara a confecção de estomas, que são aberturas do intestino na pele do abdome para permitir a saída de fezes, sem passar pela região afetada.

Retocolite ulcerativa

A retocolite ulcerativa inespecífica caracteriza-se por inflamação da mucosa do intestino grosso, apresentando diarreia crônica com sangue e anemia. O reto quase sempre está afetado, sendo às vezes o único segmento. Não há lesões no intestino delgado, o que constitui característica da doença, muitas vezes sendo o fator primordial para diferenciá-la da doença de Crohn. A inflamação pode vir a se tornar muito grave, com hemorragias maciças e perfuração intestinal, necessitando de cirurgias de urgência

O diagnóstico é feito principalmente pela colonoscopia com biópsias.

O tratamento inclui medicamentos para controle da inflamação. Quando a doença não consegue ser controlada por meio de tratamento clínico ou apresenta determinadas complicações agudas ou crônicas, especialmente neoplasia, mesmo muito precoce, opta-se pela cirurgia.

Pacientes com DII possuem maior risco de câncer colorretal em relação à população sem a doença. A colonoscopia é o melhor método para diagnosticar e tratar lesões potencialmente cancerosas relacionadas às DII. Por isso, a partir de oito a dez anos de diagnóstico do problema no intestino grosso, seja retocolite ou doença de Crohn, é recomendada a realização periódica de colonoscopia por endoscopistas/coloproctologistas experientes no assunto, com a finalidade de se evitar o câncer colorretal e suas consequências. O coloproctologista saberá melhor orientar as opções terapêuticas e os intervalos de exames.

Juntos nessa causa!



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