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Encontro de Hipertensos abordou o tema Agrotóxicos

Publicado em: 08/07/2019 08:50

Encontro de Hipertensos abordou o tema Agrotóxicos

Realizado pela Administração Municipal, através da Secretaria de Saúde, aconteceu na última semana mais um encontro dos Grupos de Hipertensos, que abordou sobre os “Agrotóxicos”.

Na oportunidade o tema foi tratado pela Vigilância em Saúde do município, que trabalha com ações de promoções, vigilância, proteção, prevenção e controle das doenças e agravos à saúde.

Foram apresentados os fatores de risco relacionados aos agrotóxicos, que afetam a saúde da população em geral, principalmente a saúde dos trabalhadores.

A utilização no meio rural brasileiro tem trazido uma série de consequências tanto para o ambiente como para a saúde do trabalhador rural.

Confira algumas informações:

Definindo: praguicida é qualquer substância ou mistura de substâncias destinadas a prevenir, destruir e controlar qualquer praga, incluindo os vetores de doenças humanas e de animais, que causam prejuízo ou interferem de qualquer outra forma na produção, elaboração, armazenagem, transporte e comercialização de alimentos para humanos ou animais, produtos agrícolas, produtos administrados aos animais para combater insetos, aracnídeos ou outras pragas. Inclui as substâncias utilizadas como reguladores de crescimento de plantas, desfolhantes, dessecantes, agentes para reduzir a densidade de frutas ou agentes para evitar a queda prematura da fruta, e as substâncias aplicadas na pré ou pós-colheita para proteger contra a deterioração durante o armazenamento e transporte.

Para classificação da toxicidade considerou: a toxicidade aguda, irritação, corrosão, ulceração e lesão ocular, dividiu-se em quatro classes e para cada classe foi adotada uma tarja colorida nos rótulos dos produtos.

Classe I (rótulo vermelho) - extremamente tóxica,

Classe II (rótulo amarelo) - altamente tóxica,

Classe III (rótulo azul) - moderadamente tóxica,

Classe IV (rótulo verde) - pouco tóxica.

USO AGRÍCOLA DE AGROTÓXICOS

O Brasil se destaca no cenário mundial como o maior consumidor de agrotóxicos, respondendo na América Latina por 86% dos produtos. Do total de agrotóxicos consumidos no Brasil, 58% são herbicidas, 21%inseticidas, 12%, fungicidas, 3% acaricidas e 7% outros. Entre os princípios ativos mais consumidos estão nos herbicidas o glifosato, 2,4-D ácido e a atrazina; nos fungicidas o óleo mineral, enxofre e carbendazin; nos inseticidas a cipermetrina, o metamidofós e acefato. A análise da evolução da produção agrícola, o consumo de agrotóxicos e a incidência das intoxicações mostra que houve um aumento de 4% na área plantada e de 117% no uso de agrotóxico, só em 2010, o consumo ultrapassou o milhão de toneladas.

USO EM SAÚDE PÚBLICA DE AGROTÓXICOS

Tipos de intoxicação

Os agrotóxicos podem causar intoxicação aguda e crônica e podem se manifestar de forma leve, moderada ou grave.

Intoxicação Aguda: é uma alteração no estado de saúde de um indivíduo ou de um grupo de pessoas, pode ocorrer de forma leve, moderada ou grave, dependendo da quantidade de veneno absorvido, do tempo de absorção, da toxicidade e do tempo decorrido entre a exposição e o atendimento médico. Manifesta-se através de um conjunto de sinais e sintomas podendo apresentar de forma súbita, alguns minutos ou horas após a exposição acarretando efeitos rápidos sobre a saúde.

Intoxicação Crônica: Os efeitos aparecem no decorrer de repetidas exposições, durante longos períodos de tempo. Os quadros clínicos são indefinidos e muitas vezes irreversíveis. Os diagnósticos são difíceis de serem estabelecidos e a maior dificuldade na associação causa/efeito, principalmente quando há exposição de longo prazo e a múltiplos produtos, muito comum na agricultura brasileira, manifesta-se através de inúmeras patologias, que atingem vários órgãos e sistemas, com destaque para os problemas neurológicos, imunológicos, endocrinológicos, hematológicos, dermatológicos, hepáticos, renais, malformações congênitas, tumores, entre outros.

Caracterização Epidemiológica

No Brasil, as intoxicações por agrotóxicos ocupam a segunda posição dentre as intoxicações, casos por inseticidas 73% raticida, 15,3%, herbicidas 9,7%, e fungicidas 1,3%. 42% dos homens foi ocupacional - acidente de trabalho – durante a pulverização em 72% dos casos; entre as mulheres, em 48% foi tentativa de suicídio. Nos menores de 10 anos predominam os acidentes; na faixa dos 10 aos 19 anos, as tentativas de suicídio, seguida de acidente de trabalho; entre as pessoas acima de 50 anos, continua sendo acidente de trabalho (34%) seguido de tentativa de suicídio (31%).

CASOS NOTIFICADOS DE INTOXICAÇÃO POR AGROTÓXICOS EM BARRA FUNDA.

Data

Sexo

Via de intoxicação

Local atendimento

Motivo

20/01/2014

 

Respiratória

UBS Barra Funda

Aplic lavoura

07/11/2014

 

Respiratória

UBS Barra Funda

Aplic lavoura

04/04/2019

 

Respiratória

 

Aplic lavoura

17/04/2019

 

Respiratória

UBS Barra Funda

Uso Domiciliar

17/04/2019

 

Respiratória

UBS Barra Funda

Uso Domiciliar

30/04/2019

 

Contato pele

UBS Barra Funda

Trat. semente

 

Uma população é considerada exposta ou potencialmente exposta, se existiu, existe ou existirá, a partir de condições ambientais, laborais, acidentais e/ou intencionais, uma rota de exposição que estabeleça o contato do agrotóxico.

 

CONHECER É MANTER-SE SAUDÁVEL

As informações apresentadas nos rótulos e bulas, e também em cartilhas sobre agrotóxicos, servem para que, evite a penetração dos agrotóxicos pela boca, nariz, pele, olhos, e outras partes do seu corpo.

Nas intoxicações agudas, de aparecimento rápido, os sintomas são bem visíveis, mas, na maioria dos casos, os primeiros sinais são pouco específicos e se apresentam como dores de cabeça, tonteira, náuseas, cansaço, falta de motivação, com o passar do tempo, os problemas de saúde podem piorar e provocar danos maiores. Além disso, alguns agrotóxicos se acumulam no organismo e causam doenças mais demoradas e até mais graves.

De maneira geral, dependendo da via de penetração, as primeiras reações são:

Na contaminação por contato com a pele (via dérmica)

Irritação – pele vermelha, quente e dolorosa, inchaço e, às vezes, ardência e, brotoejas;

Desidratação - pele seca, escamosa, às vezes, infeccionada, com dor e pus, e evoluindo para cicatrizes deformadas, esbranquiçadas ou escuras.

Alergia - brotoejas com coceiras.

Na contaminação através da respiração (via inalatória)

• Ardência do nariz e da boca

• Tosse

• Corrimento de nariz

• Dor no peito

• Dificuldade de respirar

Na contaminação pela boca (via oral)

• Irritação da boca e garganta

• Dor de estômago

• Náuseas

• Vômitos

• Diarreia

Outros efeitos gerais vão aparecendo após a contaminação prolongada, e são bem diversificados:

• Dor de cabeça

• Transpiração anormal

• Fraqueza

• Câimbras

• Tremores

• Irritabilidade

• Dificuldade para dormir

• Dificuldade de aprender

• Esquecimento

• Aborto

• Impotência

• Depressão

Nas intoxicações crônicas, que aparecem após penetração repetida de pequenas quantidades de agrotóxicos em um tempo mais prolongado, surgem problemas respiratórios graves, alteração do funcionamento do fígado e dos rins, anormalidade da produção de hormônios da tireoide, dos ovários e da próstata, incapacidade de gerar filhos, malformação e problemas no desenvolvimento intelectual e físico das crianças, câncer etc.

Em caso de mal-estar após o manuseio ou a aplicação de agrotóxico, vá para um lugar bem arejado, retire as roupas que podem estar contaminadas pelo agrotóxico, tome banho com sabão e bastante água corrente e procure ajuda médica. Se houve respingos de agrotóxicos nos seus olhos, vire a cabeça de lado, lave cada olho com água corrente e limpa durante pelo menos 15 minutos, não deixe a água suja entrar no outro olho e procure um serviço médico para fazer um exame e um tratamento especializado.

ONDE COMEÇA O PERIGO?

Onde se vendem agrotóxicos, é obrigatória a presença de um agrônomo. Diga a ele qual é o problema que está prejudicando a sua lavoura e, se possível, marque uma visita à sua propriedade. Desta forma, o agrônomo poderá receitar o produto certo para a praga certa e na dose certa.

Algumas recomendações importantes:

  • Nunca compre produto só por que é mais barato. Existem agrotóxicos específicos para cada cultura, para cada momento e para cada praga.
  • Não compre produtos contrabandeados. Eles são, geralmente, muito piores para a saúde, a lavoura e o meio ambiente.
  • Peça explicações sobre a melhor maneira de manipular os agrotóxicos e sobre os Equipamentos de Proteção Individuais que você deverá utilizar, estes equipamentos são muito importantes para evitar a contaminação durante a preparação da calda e a aplicação dos produtos.
  • Aproveite a visita do agrônomo para tirar todas as dúvidas que encontrar no rótulo e bula dos produtos. Não deixe para trás nenhuma dúvida.

COMO TRANSPORTAR

O transporte de agrotóxicos tem que respeitar regras para diminuir os riscos de acidentes. O desrespeito das normas de transporte pode provocar multas para quem vende e para quem transporta o produto. O veículo recomendado é do tipo caminhonete e deve estar em perfeitas condições de uso. As embalagens devem estar colocadas de forma segura para não se deslocar, entortar ou danificar, e cobertas por uma lona impermeável, presa na carroceria.

Transporte sempre os agrotóxicos com a nota fiscal dos produtos.

COMO GUARDAR?

Os agrotóxicos devem ser guardados de forma segura para você, sua família e o meio ambiente. Mesmo se você tiver que guardar pequenas quantidades de agrotóxicos observe as seguintes regras:

  • O depósito deve ficar num local livre de inundações e separado de fontes de água, de residências e de instalações para animais.
  • As portas devem ficar sempre trancadas para não permitir a entrada de animais, crianças e pessoas não autorizadas.
  • Nunca permita que crianças e mulheres apliquem ou auxiliem na aplicação dos agrotóxicos. As crianças, em geral, são mais facilmente intoxicadas do que os adultos e as mulheres podem ter problemas durante a gravidez.
  • Não beba e não coma durante a aplicação ou estiver trabalhando com agrotóxicos.
  • Lave as mãos sempre que puder, beba bastante água antes de trabalhar com agrotóxicos e após se lavar, e não fume durante o trabalho.

 

Só podemos nos proteger com eficiência se conhecermos os produtos que utilizamos.

 

Mensalmente, a equipe da Unidade de Saúde desloca-se para as comunidades do interior, bairros e no centro do município para atender e orientar os pacientes hipertensos, além da distribuição de medicamentos, as reuniões contam sempre com importantes temas.