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Grupo de Estudos em Filosofia e do GEPES/UPF com as professoras e diretora da Escola Zandoná

Publicado em: 06/12/2017 11:33

Grupo de Estudos em Filosofia e do GEPES/UPF com as professoras e diretora da Escola Zandoná

O grupo de trabalho constituído pelo prof. Andrei Luiz Lodéa da UPF e pela profa. Bárbara Nicola Zandoná da Escola Zandoná fizeram uma excelente reflexão sobre “O que é necessário para ser feliz?” com a turma do 1º ano do Ensino Médio.

Segundo os professores, “Em um mundo marcado pelo consumismo e a essência do ter pelo ter, a maioria das pessoas acredita que sua felicidade […] depende da quantidade e da qualidade dos itens de consumo que temos ou podemos adquirir durante nossa vida. ” Diante disso, buscou-se questionar: “É possível uma felicidade duradoura? Uma felicidade duradoura depende dos bens exteriores? ” A reflexão foi embasada a partir de Aristóteles, para o qual tudo o que fazemos tem como finalidade o sumo bem que é a felicidade verdadeira. Já que todo o resto, os objetos de consumo, por exemplo, são meios para atingir aquele fim último. Por outro lado, Epicuro considera que a felicidade “seria atingida por prazeres, mas estes devem ser moderados, trazendo um estado de tranquilidade”. De modo um pouco semelhante, para John Stuart Mill a ideia de felicidade está associada a quantidade de prazer que podemos experienciar. Quanto maior for a maximização do prazer e a ausência de dor maior é a felicidade. Porém, existem prazeres superiores e inferiores e os seres humanos serão felizes ao terem prazeres condizentes com suas capacidades racionais, além disso, não é meramente o número de prazeres desfrutados que traz felicidade, mas a sua intensidade e os seus resultados. Então, até que ponto os bens que adquirimos ou as riquezas que acumulamos nos trazem felicidade?

Enquanto isso, a turma do 3º ano do Ensino Médio refletiu com a profa. Karine Piaia da Escola Zandoná, com o mestrando em Educação Alexandre J. Hahn e com a acadêmica do Curso de Filosofia Bianca Possel sobre se “A minha vontade deve levar em consideração a vontade do outro?”. Um dos temas mais votados para discussão nos questionários das vivências culturais da turma foi “estupro”, como fundamentação teórica para refletir sobre o tema foi abordado o imperativo categórico de Immanuel Kant.

Mas o que caracteriza um estupro? Qualquer ato libidinoso sem consentimento caracteriza estupro? Se alguém for capaz de compreender o absurdo que é forçar alguém que não quer tomar chá a fazê-lo, compreenderá que forçar alguém a praticar sexo contra a vontade também é um absurdo. Para Kant, as pessoas devem agir com base em sua razão e não em suas vontades, quem pratica um estupro não age bem tanto porque é escravo de sua vontade, mas principalmente porque a sua ação não pode se tornar uma lei universal para todos, uma vez que provavelmente a própria pessoa que pratica o estupro não gostaria de ser estuprada. Assim, se ela não gostaria que alguém praticasse essa ação contra ela, porque deveria ela praticar contra alguém?

Já na turma do 9º ano do Ensino Fundamental, a discussão filosófica foi sobre se “Somos livres ou seguimos um destino? Quem determina nossas escolhas?”. A profa. Cínthia Roso Oliveira da UPF, a profa. Ângela Bárbara Rossetto da Escola Zandoná e o acadêmico do Curso de Filosofia Francisco da Rosa Dalberto elaboraram a aula com base nos temas “liberdade” e “destino” que haviam sido os temas mais votados para discussão a partir da investigação inicial feita com a turma.

Liberdade é fazer tudo o que se quer? (posição embasada por Thomas Hobbes) É ter possibilidade de escolha? (de acordo com Platão) Será que mesmo quando fazemos aquilo que desejamos não estamos sendo determinados pela nossa constituição biológica e pelo contexto cultural, social, político e econômico no qual vivemos? (conforme defende Baron D’Holbach) Por outro lado, será que o fato de alguém sofrer um acidente grave não fazia parte do seu destino traçado por uma sabedoria divina para que ela aprendesse algo com aquilo? (Estoicos — Crisipo, Posidônio e Zenão) Será que como Sam e Dean da série Sobrenatural que descobrem que suas vidas estão todas traçadas por Deus, nossas vidas também não estão predestinadas? Mas quais as consequências de defendermos que as pessoas são predestinadas e tudo acontece em suas vidas porque tem que acontecer? Por um lado, é muito mais fácil aceitar perdas de pessoas queridas ao pensar que estava em seu destino. Por outro lado, pensar que não podemos mudar o que está traçado, causa muito comodismo; além de ser um absurdo querer responsabilizar as pessoas por suas ações. Já defender que as pessoas são livres é interessante, porque dá sentido para quem luta para mudar suas condições atuais; além de permitir responsabilizar as pessoas que praticam maldades no intuito de ensiná-las e motivá-las a agirem bem. Por outro lado, tem situações em que alguém assumir toda a responsabilidade por algo que aconteceu parece muito injusto. Portanto, será que não seguimos um destino em linhas gerais, mas temos liberdade para mudar algumas coisas?

Isso foi um pouco das instigantes reflexões feitas com os alunos da Escola João Antônio Zandoná. Agradecemos à Escola por abrir as portas para o trabalho, em especial agradecemos às professoras Ângela, Bárbara e Karine pela parceria e construção conjunta, e aos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, do 1º e 3º anos do Ensino Médio pela confiança, disposição e excelentes discussões realizadas na manhã de hoje! Esperamos que o Grupo de Estudos em Filosofia e o GEPES/UPF possam auxiliar a Universidade de Passo Fundo a fazer o seu papel de universidade comunitária ao contribuir para a transformação social e beneficiar a sociedade através do estímulo à autonomia de pensamento!